Jornalistas empreendedores e empreendimentos jornalísticos

06:38 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Novos empreendimentos na área de comunicação aparecem com muita facilidade na atual sociedade globalizada e, com o auxílio das tecnologias, observa-se o surgimento de vários empreendedores. Mas, para ver o negócio, no qual se tem investido todos os esforços, prosperar é necessário ter determinadas características pessoais. Muitos têm encontrado ótimas oportunidades através da internet.

Lançar um novo empreendimento no mercado não é algo que possa ser exercido por qualquer pessoa. Para tal façanha é importante ter certas qualidades, caso contrário a empresa corre o risco de ser extinta no início da vida. O texto Perfil do comunicador empreendedor, de Tiago Mainieri de Oliveira, apresenta algumas características inerentes a comunicadores-empreendedores. O autor explica que é necessário ser criativo, independente, flexível, líder, organizado, além de ser bom em planejamento e assumir riscos.

Na área de comunicação e jornalismo, muitos têm unido estas qualidades às ferramentas tecnológicas ao seu redor para montar negócios de sucesso, que têm sido de grande utilização popular. É o que mostra Luciano Ribeiro, em seu texto Jornalismo Empreendedor: uma reflexão inovadora acerca da construção de conhecimento na Internet. O autor diz que é importante os jornalistas estarem atentos a maneira de escrever um texto na internet, já que ainda não existe uma formatação adequada para o meio, além de aproveitar tudo o que esta pode oferecer: imagem, texto, áudio, links e muita interatividade.

O Twitter é um bom exemplo de empreendimento que tem dado certo. Em apenas 140 caracteres as pessoas podem exercitar o jornalismo e a comunicação em geral. Assim, jornalistas têm utilizado a ferramenta e divulgado seus trabalhos em manchetes e links direcionados a publicação completa sem gastar um centavo. Por outro lado, o empreendedor que criou o Twitter está desfrutando de um bom faturamento.

Os blogs também são ótimos exemplos. Com criatividade para lançar algo inovador, diversos jornalistas têm sobrevivido de suas páginas na internet, que não custam nada ou pouco para manter e têm um retorno muito bom, pois se o negócio é realmente interessante, atrai a publicidade e proporciona lucros. Para isso, basta unir as qualidades de empreendedor a uma visão ampliada de mercado e, assim, fazer o que gosta, gastando pouco, ganhando muito e contribuindo com a comunidade.

Mãinha

17:27 Edit This 1 Comment »
Por Flávia Passos Leite


Mãinha


No dia em que nasci
Abri os olhos e vi
Olhei para ti
E percebi
Que aquilo era um sim


Sim, tu és minha
E eu sou sua
E a caminhada minha
Foi unida a tua


O aniversário é seu
Mas o presente é meu
Pois foi Deus que me deu
O amor teu


Tu és a bela flor
Que acalma o furor
Que no momento do ardor
Conduz ao amor


Agora cresci e vi assim
Que não é somente um sim
Mas algo que vai durar além do fim.



Eu fiz este poema para minha mãe, pelo aniversário de 52 anos. Pensei nas palavras enquanto estava no ônibus a caminho do trabalho. Após o trabalho, fui direto para a faculdade, como sempre faço, coloquei tudo no papel e isso surgiu. Este é o segundo poema que faço, mas o primeiro em português.
Bom, minha mamãe gostou...

Juventude Ativista customiza computadores

12:48 Edit This 5 Comments »
Por Flávia Passos Leite


Jovens moradores do bairro de Cajazeiras, em Salvador, uniram-se para utilizar seus conhecimentos em benefício de muitos. A cooperativa Juventude Ativista de Cajazeiras (JACA), em parceria com a UNEB, transforma peças de computadores velhos e quebrados em computadores novos, com visual colorido e customizado.

Fundada em 2004, a JACA iniciou suas atividades fazendo serigrafia, mas, sem apoio, não deu continuidade ao projeto. Foi, então, que a ideia da Incubadora de Empreendimentos Solidários (Incuba), vinculada a UNEB, de fazer manutenção e assistência técnica em equipamentos de informática atendeu aos desejos dos jovens, que viram seu antigo plano ser extinto e um novo ser posto em prática.

Atualmente, o grupo conta com 20 membros na faixa etária de 18 a 30 anos. Cada participante passou por um processo de aprendizado de técnicas de manutenção de microcomputadores, com o apoio de algumas entidades que forneceram cursos. “Uns aprendem uma técnica e outros outra. Assim o conhecimento é trocado”, explica Jéssica Dias, integrante do grupo.

A cooperativa inaugurou uma sede própria em agosto deste ano e, desde então, tem intensificado o trabalho de reconstrução de computadores. Mas, precisam de material para continuar a obra. A Incuba forneceu a primeira remessa de computadores velhos, mas, agora, o grupo tenta conseguir mais peças. “Enfrentamos dificuldades neste sentido, mas estamos procurando empresas que façam doações”, afirma Jéssica.

A JACA consegue montar uma média de 3 computadores novos a cada 10 velhos e vendem por aproximadamente R$500,00. A cooperativa também oferece o serviço de customização de micros, através da pintura. Cássio Santos, membro do grupo, afirma que os jovens, também, ministrarão cursos gratuitos de inclusão digital para a comunidade, nos próximos anos. “Nós estamos sempre por aqui. Então, o que pudermos fazer para ajudar a gente faz”, comenta. O grupo pretende ainda continuar com a realização de oficinas de manutenção de micro.

Em 2004, pesquisadores contratados pela Organização das Nações Unidas (ONU) concluíram que para a fabricação de um único computador é necessário 240 quilos de combustível, 22 quilos de produtos químicos e 1,5 tonelada de água. Com a reciclagem das máquinas o dano causado ao meio ambiente é quase inexistente.

Para entrar em contato com o JACA, ligue: (71) 3395-9596 ou envie um e-mail para edcarlosrb@gmail.com

15:44 Edit This 2 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Se você for passar pelo Itaigara em dias de chuva, não se esqueça de levar seu bote inflável.





Pesquisa aponta desmame precoce

08:17 Edit This 1 Comment »
Por Flávia Passos Leite

Douglas França, 4 anos, aprendeu cedo que para crescer saudável é preciso se alimentar bem. Sua mãe, Rita do Nascimento, 38 anos, sempre seguiu as orientações da pediatra e buscava informações em livros e internet sobre a alimentação das crianças. Hoje, Douglas come um pouco de tudo e Rita pode observar que seu filho se desenvolve sem problemas.

Pesquisadores da UFBA publicaram, em 2005, um estudo sobre amamentação e alimentação complementar nos dois primeiros anos de vida, constatando que o desmame é feito precocemente, assim como a introdução de alimentos, o que pode favorecer o aparecimento de alergias e intolerância alimentar. Os dados ressaltaram ainda que o mingau (preparação à base de leite de vaca, açúcar e espessante de milho e arroz) já tem lugar de destaque na alimentação da criança, sobressaindo entre as frutas e verduras.

Segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde Brasileiro, o leite materno deve ser oferecido exclusivamente à criança até os 6 meses de vida. A partir desta idade os alimentos devem ser introduzidos à dieta, mantendo o aleitamento materno até 2 anos ou mais. “A alimentação adequada durante os primeiros dois anos de vida irá favorecer o crescimento adequado, prevenir doenças infecciosas principalmente diarréia, prevenir anemia e alergias alimentares. Além disso, irá favorecer a formação de bons hábitos alimentares ao longo da vida”, explica Valterlinda Alves de Oliveira, professora, mestre em nutrição e integrante da pesquisa.

Alimentação balanceada

Rita do Nascimento fez tudo que foi recomendado com Douglas. Ela o amamentou até 2 anos e 3 meses. A partir do sexto mês acrescentou à alimentação frutas, verduras, leguminosas, cereais, carnes. Mesmo após a licença maternidade e o retorno ao trabalho Rita amamentava e tomava todos os cuidados com a alimentação de seu filho. “Eu ensino a ele que deve comer tudo para ficar forte, inteligente e para os ossos não quebrarem”, conta rindo.

Ana Regina Carvalho Santos ofereceu exclusivamente leite materno a Samara Santos até os 4 meses. A partir desta idade passou a dar o leite NAN H.A., intermediário entre o leite materno e o leite de vaca. A partir dos 5 meses começou a introduzir a comida de sal. Hoje, Samara está com 7 meses, mama pela manhã e se alegra na hora das refeições e até pede chorado quando demoram de lhe colocar a colher na boca. Ela come frutas, verduras, legumes, carne branca e grãos.


Bernardo de Oliveira corre e brinca pela casa durante todo o dia. Ele ainda não sabe, mas sua mãe Maria Carolina de Miranda sempre buscou o melhor para sua saúde. Quando voltou a trabalhar, após 3 meses de licença, seu leite diminuiu e após 6 meses passou a oferecer o leite de soja a Bernardo. A alimentação, introduzida a partir dos 4 meses, sempre foi balanceada, com sucos, frutas, papinhas de legumes e verduras, carboidratos e carnes.

Mídia lado a lado das empresas

14:06 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

A mídia é totalmente dependente das empresas, visto que são estas que pagam o salário no final do mês dos jornais, em todas as formas nas quais se apresentam (impresso, online, televisão, rádio). É como se houvesse um contrato de apoio entre elas. Um jornal não pode criticar a todo instante uma grande organização que é fiel anunciante em seu veículo.
O filme Obrigado por fumar (Thank you for smoking – 2005) mostra um pouco disso. O longa retrata a vida do lobista americano, Nick Laylor, que é porta-voz da indústria de cigarro. O personagem é ainda amigo dos representantes das indústrias de álcool e armas. Nick tem que conviver diariamente com os ataques à indústria de tabaco, que recaem sobre ele, e ainda reverter a situação para que pareça que o cigarro é uma coisa boa e que deve ser consumido.
É tudo um jogo de palavras e manipulação. As empresas sabem da necessidade de conquistar a mídia, ou pelo menos caminhar junto com ela, já que é esta que tem acesso direto a opinião pública, manipulando-a muitas vezes. Por isso, as organizações investem milhões de reais por ano em assessores de comunicação e relações públicas, e, é claro, em propaganda.
Um grande exemplo de manipulação da mídia pôde ser observado na ascensão de Fernando Collor de Melo, quando se candidatou à Presidência da República, em 1989. Lula era o favorito, mas quando a grande mídia, puxada pela Globo, percebeu que Collor representaria melhor seus interesses fez campanha maciça e garantiu sua vitória. Pouco tempo depois, quando os interesses mudaram, a mesma emissora contribuiu para a deposição do presidente.
Ou quando grandes empresas, como a Petrobras, causam danos ambientais e são obrigadas a pagar multa; a mídia anuncia o fato, mas logo esquece e não acompanha o caso ou faz reflexões maiores acerca do ocorrido. Os assessores de comunicação são pagos para isso. Eles devem saber utilizar as palavras, driblar os jornais, ter poder de contra-argumentar, e ter toda uma opinião à favor do seu representado para que possa contornar as situações ruins que apareçam para querer derrubar a empresa.

Voluntariado em rede

14:06 Edit This 1 Comment »
Resumido por Flávia Passos Leite

Através das associações e ONGs é perceptível a presença da força da união de pessoas da sociedade civil. Muitos, porém, ressaltam apenas esta dimensão institucional do voluntariado e se esquecem as que soluções para as comunidades provêm do talento e criatividade pessoal de cada indivíduo.
Diferente das organizações que oferecem modelos burocráticos de participação voluntária, existe uma perspectiva chamada de "voluntariado em rede" ou "voluntariado 2.0", cujo lema é: quem quer vai e faz, ou seja, o voluntário é o agente promotor de suas próprias ações.
Para conseguir atingir sua meta, sem precisar recorrer a instituições tradicionais, as pessoas podem contar umas com as outras, ajudadas pelas novas tecnologias. Um exemplo desta rede de cooperação pode ser observada na Wikipédia.
Como estes novos modelos de colaboração podem ser utilizados pelo voluntariado? O V2V (Volunteer-to-Volunteer), criado no Rio de Janeiro, surgiu com o intuito de ajudar os indivíduos a promover oportunidades de ação voluntária, sem precisar fazer parte de uma organização formal. O V2V incentiva os voluntários a não serem apenas consumidores de ações de outros voluntários, mas, também, produtores.
O V2V formou uma parceria internacional, tornando-se um projeto global. Assim, existem grupos em várias partes do mundo unindo-se para limpar parques, organizar visitas a asilos, reciclar, aproveitar os recursos da empresa da melhor maneira.
Assim, uma pessoa que está nos Estado Unidos pode se identificar com a ideia de uma que esteja no Kuwait e descobrir um novo projeto. Assim vão surgindo novos líderes e iniciativas e as redes vão sendo formadas.

Resumo do texto Voluntariado em Rede, de Bruno Ayres e Marianna Taborda. O texto original encontra-se no livro Para entender a internet, organizado por Juliano Spyer.

Spam

13:51 Edit This 0 Comments »
Resumido por Flávia Passos Leite

Em seu texto "Spam", Marcelo Vitorino, consultor de marketing e empresário, afirma que a internet é uma ferramenta que sofre com a diferença de etnias, credos e motivações dos seus usuários, o que ocorre, também, em cidades grandes.
O spam é o nome dado às mensagens enviadas eletronicamente sem permissão do destinatário, sendo propagado por e-mails, redes sociais, comunicadores instantâneos, telefones celulares.
Mas até que ponto um e-mail pode ser considerado spam? Levando em conta a definição, uma pessoa pode ser spammer se enviar uma mensagem a um parente, sem que este peça ou autorize explicitamente.
Mesmo que os usuários não percebam os impactos, é notório que a internet fica congestionada devido ao grande número de mensagens desse tipo enviadas diariamente.
As grandes empresas da internet já têm implementado filtros de contenção da praga, como é o caso da Google e Microsoft. As práticas de aceitação de um e-mail mudam frequentemente e alguns provedores bloqueiam temporariamente o recebimento de mensagens enviadas por uma mesma pessoa.
Se antes o spam era proveniente de mensagens comerciais, atualmente aparecem disfarçadas de entidades conhecidas para aplicar golpes eletrônicos. Como estes têm funcionado, alguns já defendem a cobrança de uma quantia por e-mail enviado, o que acaba prejudicando o usuário comum.
O spam também pode ser considerado invasão de privacidade como alguns especialistas defendem, o que Vitorino discorda. O autor afirma que com a internet, muitos estão expostos. Por isso devem assumir o bônus e o ônus de estar conectado.

Resumo do texto Spam, de Marcelo Vitorino. O texto original encontra-se no livro Para entender a internet, organizado por Juliano Spyer.

Um portal democrático

13:42 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Participação e interação. Estas palavras mostram como o portal e-democracia funciona para ajudar os brasileiros a terem voz na política do país. O presidente da Câmera dos Deputados, Michel Temer, alerta para a necessidade desta iniciativa, já que é uma ferramenta que deve ser utilizada pelos cidadãos para que haja uma ampla discussão acerca de temas que influenciam as políticas públicas.
Trata-se de um sistema de debates, do qual fazem parte deputados, especialistas e a população. Todos podem participar de fóruns, enquetes, fazer perguntas e obter respostas sobre alguns temas que estão sendo amplamente comentados. Os jovens podem discutir acerca de capacitação para o trabalho, educação e esportes e todos podem opinar com relação ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável.
Monique Tavares, estudante de jornalismo, afirma que o portal "é muito importante para desenvolver a democracia no país". É uma maneira rápida e dinâmica de contribuir para a elaboração de projetos de lei. Para fazer parte deste projeto basta acessar: www.edemocracia.camara.gov.br.

A vivência no exterior tem animado jovens

18:12 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

"O intercâmbio me ajudou a aprender a lidar com as diferenças e com minhas emoções, além de ter me proporcionado conhecer pessoas maravilhosas. Outro grande benefício de ter participado do programa foi adquirir fluência no Inglês", afirma Andreza Bartilotti, 22 anos, estudante de medicina.
A jovem morou nos Estados Unidos na casa de uma família voluntária durante 10 meses, enquanto cursava o 2º ano do Ensino Médio. "Eu tinha muita vontade de dominar uma língua estrangeira e sabia que um intercâmbio é um grande diferencial na hora de se conseguir um emprego. Além disso, queria entrar em contato com outra cultura", afirma Bartilotti. Participar de um programa é o sonho de muitos brasileiros. Eles vão em busca de um aperfeiçoamento pessoal ou profissional e se sentem realizados com os resultados.
De acordo com a Belta – Brazilian Educational & Language Travel Association, empresa que reúne as principais instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbio no exterior, no ano de 2005, aproximadamente 54.6 mil brasileiros, na faixa de 18 a 30 anos, optaram por uma dessas iniciativas, 30% mais que os 42 mil estudantes que embarcaram em 2004 e os 35 mil em 2003.
O programa
de High School, Ensino Médio, é um dos mais procurados por jovens entre 14 e 17 anos. Os "mini-embaixadores", como são chamados os participantes deste programa, moram 5 ou 10 meses em outro país enquanto cursa uma série ou metade dela. Eles convivem com famílias nativas ou moram dentro das próprias escolas, se forem para colégios particulares. Assim, há uma troca cultural. Os intercambistas aprendem sobre um estilo de vida diferente e os nativos aprendem sobre o Brasil, por isso o nome "mini- embaixadores".
O destino mais procurado para o programa de High School são os Estados Unidos. Segundo Dinara Cavalcanti, 67 anos, que já enviou em torno de 600 brasileiros ao exterior pelo programa de High School e atualmente é sócia da filial da agência de intercâmbio Student Travel Bureau – STB, localizada no Itaigara, essa grande procura se deve ao fato de que os programas americanos são mais baratos. "Tudo começou após a II Guerra Mundial. Era uma forma de trazer jovens dos países destroçados para verem a cultura e usufruírem das escolas do governo".
O ano de High School nos Estados Unidos custa em média US$7.150, o equivalente a R$16.731. Já quem vai a Austrália investirá AU$25.787 – R$45.308. O investimento será maior se os intercambistas optarem pela Suíça. Se a escolha for a escola internacional Leysin, localizada na região francesa do país, o preço fica em torno de CHF$72.000 – R$151.972.
Outro forma de intercâmbio bastante procurada por pessoas de várias idades é o curso de idioma no exterior. É uma forma de aprender e conhecer uma nova cultura. Segundo a gerente da filial da STB no Itaigara, Madja Albuquerque, tanto jovens quando adultos procuram este tipo de programa para ter uma vivência internacional, além do aperfeiçoamento profissional e pessoal. "Muitos não puderam estudar o idioma quando pequenos, por isso aproveitam a oportunidade quando amadurecem", explica.
Experiência – George Barbosa, 23 anos, administrador, participou de um curso de um mês no Canadá para aperfeiçoamento da língua para utilização profissional. "Conhecimento e cultura são coisas que ninguém tira da pessoa. Uma viagem como esta proporciona uma visão de mundo diferente, um aprendizado constante e uma experiência inigualável. O aprendizado da língua torna-se mais eficiente e, por vezes, imperceptível; portanto, sinto mais facilidade de comunicação o qual auxilia nas minhas atividades profissionais".

Maria Clara Pires e George Barbosa - Canadá

Um dos países muito procurados para cursos é a Inglaterra. De acordo com Madja isso se deve ao fato do país ter uma tradição com o ensino do idioma, além da pessoa poder trabalhar enquanto estuda. O Canadá é outro destino favorito de brasileiros. Segundo o Centro de Educação Canadense (CEC) Brasil, organização que divulga o Canadá pelo mundo, no ano de 2006, foram emitidos para estudantes brasileiros 11,956 vistos. Estima-se que em 2007 mais de 15 mil brasileiros foram ao Canadá com propósito de estudos.
Vantagens – Segundo Madja o intercâmbio "auxilia o desenvolvimento da capacidade de se adaptar a mudanças, do amadurecimento, da responsabilidade; aumenta a oportunidade na carreira e enriquece o currículo, além de ser fundamental para quem quer aprender enquanto se diverte, conhecendo pessoas do mundo todo".
Uma grande vantagem de uma viagem estudantil ao exterior é o contato direto com a cultura local. A dentista Maria Clara Pires, 23 anos, foi ao Canadá com seu noivo, George Barbosa, para aprimorar seu nível de inglês e pôde observar vários aspectos culturais do país. "Tudo e bastante organizado, o serviço público é igual para todos e funciona muito bem. Todas as pessoas têm acesso aos serviços básicos. Qualquer coisa que a pessoa faça errado recebe uma multa, como por exemplo, jogar lixo na rua, atravessar o sinal vermelho para pedestre", afirma.
Os benefícios de uma vivência internacional são grandes e os que podem participar de um programa se sentem diferentes após o retorno ao Brasil. "Sinto-me mais amadurecido depois dessa experiência, passei a enxergar muitas coisas com outro olhar. Aprendi a me virar sozinho, a ouvir e obedecer, controlar a emoção, fazer amizade com pessoas diferentes, ser mais solidário", afirma Breno Rocha, "mini-embaixador" do Brasil nos Estados Unidos.
Agências – Segundo a Belta existem cerca de 50 agências de intercâmbio no Brasil. Izabel Maia, sócia da ELC Intercâmbio, localizada em Recife, afirma que "é indiscutível o papel importantíssimo que a agência de intercâmbio tem nesta experiência do aluno. É esta quem intermedia, prepara e oferece apoio aos intercambistas e familiares".

Chuvas causam transtornos em Salvador - depoimentos

17:40 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Agitação, destruição, desabamento, morte, congestionamento. Tudo isso aconteceu em Salvador nos dias 5 e 10 de maio de 2009. "Saí do trabalho às 16h e passei quase 3 presa em um engarrafamento na Sete Portas. Eu dormia e acordava e o ônibus não saía do lugar, sem contar que estava abafado, já que as janelas estavam fechadas. Cheguei em casa cansada", desabafa Nildes Lizard, 38 anos, cozinheira.
Em apenas 10 dias de maio o índice pluviométrico ultrapassou o previsto para todo o mês em algumas áreas da cidade. O bairro de Paripe foi um dos mais afetados. A explicação para a tragédia vivida pelos moradores desta localidade está no solo, de massapé, que se expande com a absorção da água. Uma faixa de terra de cerca de 500 metros de extensão por 1.200 de largura deslizou, destruindo ainda todo o sistema de esgotamento sanitário, derrubando postes de eletricidade, comprometendo o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica.
Mas os que moram em bairros nobres também sofreram. O dia 5 de maio ficará guardado da memória de Milca Santos, 24 anos, moradora de Ondina. "Eu estava dando banho no meu filho Mikael, de 5 meses, em sua banheira na sala de estar, enquanto assistia a um desenho animado. Foi quando percebi algo gelado nos meus pés. Então, vi a água invadindo minha casa. Carreguei Mikael e sentei no sofá, esperando que tudo acabasse. A água entrou no quarto do bebê e eu corri para retirar os móveis e colocá-los em meu quarto, que não foi inundado. A máquina de lavar roupas ficou enferrujada e alguns móveis destruídos. Fiquei apavorada. Foi um dia muito ruim".
No Domingo, dia 10, o dia amanheceu ensolarado e muitas pessoas aproveitaram para dar um passeio, mas foram pegas de surpresa. Até o meio-dia a Defesa Civil registrou 83 pedidos de ajuda, sendo 50 referentes a deslizamentos de terra.
"Fui a casa de uma amiga no Calabetão. A chuva estava fraca e estava na hora de eu ir embora. No caminho para o ponto de ônibus a chuva aumentou e tudo escureceu. Não dava para enxergar quase nada. Depois de ter tomado dois banhos de lama, por causa de carros que passavam apressados, consegui pegar um ônibus. Estava cheio e as janelas fechadas. Quando cheguei no Ogunjá o engarrafamento começou, devido a um deslizamento de terra. Passei quase 1 hora no mesmo lugar. Então resolvi descer do transporte e ir a pé até a Federação. Cheguei em casa exausta e suja", conta Cristiane Silva, 30 anos, copeira.

Fonte sobre os dados técnicos: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_7/2009/05/10/em_noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=109850/em_noticia_interna.shtml

Professores reprovados em exame e aprovados para ensinar

17:23 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Em dezembro de 2008 foi realizado em São Paulo, pela Secretaria Estadual de Educação, um exame para selecionar professores temporários para a rede pública de ensino. Cerca de 1.500 professores tiraram nota zero e outros 40 mil acertaram apenas metade das questões.
A Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) entrou com um pedido de suspensão da avaliação alegando que havia erros de português e outras irregularidades, como provas sem lacres. A 13º Vara da Fazenda Pública concedeu uma liminar determinando que o resultado da prova não deveria ser contato para o critério de seleção, que também contava com outros quesitos.
A Secretaria de Educação afirmou que a avaliação foi legítima e não houve fraude, mas admitiu que existiram erros de português na prova de sociologia, o que não invalidaria o objetivo do exame. As aulas em São Paulo foram atrasadas em uma semana devido à polêmica. Após esse período os professores continuaram lecionando normalmente.
E o que toda essa situação mostra? Baixa qualidade no ensino de crianças e jovens do Brasil. Se os professores não estão qualificados para ensinar e os alunos não são instruídos corretamente a educação fica defasada. Nos estados brasileiros não são realizados concursos para professores de acordo com a necessidade. Existem menos cargos públicos criados por lei do que a demanda por docentes. E o que fazer? Deixar o povo sem aulas? A solução é contratar professores temporários para ocupar os cargos, mas estes não passam pelos mesmos critérios de seleção que os concursados. Assim o governo está tapando o sol com a peneira.
Não adianta ter apenas professores, mas sim que sejam capacitados, que possam auxiliar no crescimento pessoal das crianças e jovens, dando-lhes uma boa instrução para que venham a ter posturas e opiniões próprias e fazer bom proveito das oportunidades que surgirem em sua vida. Mas é aí que está o problema. Os governantes não querem que existam pessoas com opiniões próprias e sim, uma massa de manobra à qual eles possam impor qualquer lei ou situação e que aceitará sem questionar se é justo ou não.
As universidades devem capacitar melhor os professores e estes devem buscar o aperfeiçoamento constante. Isto não se pode negar. Mas o governo deve fazer sua parte e abrir mais concursos e contratar professores qualificados para o ensino. Assim, haverá um aumento da qualidade da educação que o povo recebe nas escolas, o que por sua vez ajuda a melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e a desenvolver o Brasil.
Como fazer com que os governantes cumpram o que está escrito na Constituição? A sociedade deve se unir nessa tarefa e cumprir com sua obrigação que é de fiscalizar as ações do governo e pressionar para ter seus direitos garantidos.
O caso ocorrido em São Paulo é apenas uma situação ilustrativa do que acontece no Brasil. Os professores submetidos ao exame acreditam que não podem ser avaliados apenas por uma prova. Mas de que outra forma seriam? Esse caso serve para alertar a população que, mais uma vez, continua calada, apenas aceitando o que lhe é imposto.

Fonte de apoio:

A postura do jornalista

16:58 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Enquanto estão na faculdade todos os estudantes de jornalismo aprendem sobre os comportamentos éticos ou antiéticos através de debates e análises de situações diversas. Cada um pode tirar suas próprias conclusões acerca da postura de um jornalista. Uns acreditam que utilizar uma câmera escondida para obter informações para uma matéria não é antiético, mas sim necessário para ajudar a esclarecer um fato que alertará a população. Outros já pensam que esta atitude não é correta.
Após o período da graduação os profissionais de comunicação podem vivenciar o ambiente de trabalho e, então, passam a cumprir ordens do veículo em que está empregado. Há casos que envolvem escândalos de corrupção ou situações de fraude, como exemplo pode ser citada a venda de diplomas falsos em praça pública em vários lugares do Brasil. Nestes casos os falsificadores não mostrarão seu rosto para as câmeras. Seria, então, correto utilizar equipamentos escondidos para denunciar ou, até mesmo, comprar um diploma falso para comprovar? Os vendedores de diploma não saberiam que estavam sendo filmados e, portanto, não poderiam se defender. Mas se não houvesse uma denúncia concreta o Ministério Público não saberia que isso ocorre. Mas se o caso fosse levado primeiro ao MP e os jornalistas acompanhassem as autoridades na investigação, ainda assim o fato não seria esclarecido?
São debates éticos. Cada jornalista tem princípios morais e pensa sobre determinado assunto de uma forma diferente de outros da mesma profissão. Como dito anteriormente uns afirmam que algumas atitudes são válidas, já outros dizem que não ou cada um decide de acordo com a situação. Os que dizem que utilizar câmeras escondidas em uma situação não é legal podem dizer que em outros casos elas serão úteis.
Os jornalistas têm que cumprir com suas obrigações enquanto empregados de um veículo de comunicação e se subordinar a determinadas regras, mas deve, também, preservar seus valores mesmo que resulte em algo mais sério como perder o emprego. Um exemplo disso pode ser observado no filme Promessas de um Cara de Pau
(Swing Vote) - 2008, no qual a jornalista Kate Madison pensando em subir na carreira e trabalhar e um jornal de destaque acaba se deixando levar pelo que seu patrão diz. Ele queria que a repórter se aproximasse de Molly Johnson, a filha de Bud Johnson, para saber em quem ele votaria, já que os Estados Unidos só dependiam do seu voto para eleger o novo presidente. Kate, então, faz o que seu chefe manda e até utiliza uma câmera escondida. Ela descobriu algo que mudaria tudo: quem votou foi Molly e não Bud.
A jornalista tinha uma matéria quentíssima em suas mãos e sabia que aquilo a faria ganhar um emprego melhor, mas preferiu não contar a verdade. Ela sabia que aquilo acabaria com o sonho de Molly e mudaria o curso dos acontecimentos. Kate Madison seguiu seus princípios e fez o que considerou certo, afirmando que por um momento havia perdido sua essência. Resultado: a repórter não ganhou um emprego
melhor, mas assegurou a felicidade de muitos.
O jornalista que se preza só perde em ética se deixar de fazer o que acredita ser correto para obter prestígio dentro da profissão. Muitos desejam que seu nome seja conhecido e seu trabalho reconhecido em larga escala e fazem o que for necessário para isso. Não que eles sejam maus, mas acreditam que utilizar certos artifícios para ver seu trabalho ser comentado por muitos não é errado. Eles criam debates éticos e questionam a moral. Quem disse que programas jornalísticos sensacionalistas são antiéticos? Quem disse que apelar para a emoção exagerada não é válido? São questionamentos assim que muitos profissionais levantam.
A procura por audiência é um dos fatores que leva alguns jornalistas a tomar atitudes consideradas incorretas. Para eles não é. Cada situação deve ser analisada com cautela para que, assim, as pessoas possam concluir sobre o que é ético ou não.

Mercadoria do 3º setor

19:11 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Ao comparar a escravidão do século XVIII com os dias atuais, o filme Quanto vale ou é por quilo? (2005) mostra que não existe diferença no modo de comercialização das duas épocas. Negros que antes eram tidos como meros objetos de trabalho, hoje, continuam em posição desfavorecida e, junto as outras pessoas excluídas socialmente, são parte da mercadoria vendida no comércio do terceiro setor.
Sérgio Bianchi, cineasta paranaense, foi o responsável pela direção da história. Uma adaptação do conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis, somada a crônicas de Nireu Cavalcanti, retiradas do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Bianchi teve seu primeiro contato com o cinema em 1968, quando foi ator e assistente de produção do longa-metragem Lance Maior, dirigido por Sílvio Back. Desde então, tem demonstrado grande paixão pela produção cinematográfica, sendo premiado por Maldita Coincidência, 1979; Romance, 1988; A causa secreta, 1994 e Cronicamente inviável, 2000.
A produção da Agravo Produções Cinematográficas apresenta uma crítica à forma como as pessoas são utilizadas como mercadorias, cujos comerciantes são sempre grandes empresários, visando o lucro. No século XVIII, os proprietários de terras viam na compra e venda de escravos uma forma rentável de viver. Aqueles utilizavam estes para todo tipo de trabalho e sabiam que quanto em melhor condição estivesse seu "objeto de comércio", maior seria o retorno financeiro.
A história de Maria Antônia (Ana Lúcia Torre) e Lucrécia, mostrada no filme, ilustram com clareza essa situação. Esta última era escrava, mesmo em idade avançada, e queria comprar sua liberdade, cujo valor fora estipulado por seus patrões. Sem ter recursos para pagar, Lucrécia propõe a Maria Antônia que a compre em troca de trabalho, prometendo que pagaria sua alforria em um ano. Ao final de três, esta obtém seu dinheiro investido com lucro, já que juros foram cobrados.
Essa produção vai mais longe quando mostra a vida de um capitão do mato, que capturava escravos fugidos em troca de dinheiro para sustentar sua família. Candinho, como era chamado, resgatou a escrava Almira (Ana Carbatti) que, por conta da pressão a que foi submetida, perdeu o filho. No século XXI, é relatado o cotidiano de um jovem matador de aluguel, também chamado Candinho (Sílvio Guindane), que, pressionado a levar o sustento a sua família, mata pessoas em troca de dinheiro, tendo em vista que o trabalho formal não é fácil de conseguir.
A maior denúncia observada na obra de Sérgio Bianchi é, sem dúvida, o quanto as ongs lucram com a solidariedade. Marco Aurélio Silveira (Hérson Capri) e Ricardo Pedrosa (Caco Ciocler) são os donos da Ong Sorriso de Criança, que há anos vem trabalhando em obras sociais. Eles estão sempre em busca de se associar a empresas para financiarem seus projetos, garantindo publicidade a estas, tornando-as bem vistas perante a sociedade que, comovida, acabaria comprando seus produtos.
A obra cinematográfica apresenta dados que comprovam a movimentação de dinheiro feita pelo terceiro setor. Na época existiam de 14 a 22 mil entidades, ongs, que geravam 100 milhões de dólares por ano. Existiam 10 mil crianças abandonadas. De acordo com os cálculos, cada criança receberia 10 mil dólares por ano, o que daria para pagar os estudos em uma escola particular até a faculdade.
Mas os donos da Sorriso de Criança não estão apenas com boas intenções, na verdade, seus únicos propósitos são obter lucros com a miséria alheia. Eles sabem que isso lhes garante bons recursos e para obtê-los recorrem a desonestidade. Fazem lavagem de dinheiro, superfaturam, criam contas falsas, mas, no fim, aparecem como bons samaritanos perante a população, que apenas vê o que eles mostram.
O longa-metragem, roteirizado por Eduardo Benaim, Newton Cannito e Sérgio Bianchi, consegue chocar a muitos que, por conviverem diariamente com a exclusão social, não mais a percebem, mas a integram ao seu cotidiano como sendo algo natural. De uma forma clara, fazendo as pessoas refletirem sobre a sociedade atual, comparando-a com séculos passados, Bianchi consegue mostrar o quanto alguns têm conseguido se aproveitar de obras sociais, de instituições de caridade e da miséria do país.
Segundo Maria Clara Gohn, "no novo contexto sociopolítico, a força e a expressividade de um movimento são dadas – mais pelas imagens e representações que eles conseguem produzir e transmitir via mídia do que pelas conquistas, vitórias ou derrotas que acumulam". Assim, observa-se que existe um empenho maior por parte das ongs e associações em passar a imagem da força de sua representação à sociedade e aos patrocinadores, utilizando o poder da mídia a seu favor. De acordo com Gohn esse poder seria o "de construir ou de contribuir para a destruição de um movimento social".
A Sorriso de Criança cria propagandas que passam para o público a sensação de que realmente contribui para a redução das desigualdades sociais. Os donos da mesma sabem que o que as pessoas querem é ver atitudes positivas. Então, buscam maneiras de produzir seu material promocional induzindo as crianças a demonstrarem felicidade e satisfação em participar dos projetos da ong. Mas por trás da beleza, só existe uma maneira gananciosa de lucrar, tanto que eles superfaturam em cima dos projetos.
O mesmo pode ser observado em muitas instituições "sem fins lucrativos" que existem. Elas se aproveitam da sensibilidade da sociedade para apelar e pedir ajuda, alegando que são sérias e mostram bons resultados, mas população acaba sendo enganada. É uma maneira sórdida de seduzir as pessoas a acreditar que tudo que eles veiculam na mídia é verdade. Só que eles não mostram as falcatruas, é claro. Todos estão cada vez mais preocupados em ajudar e melhorar um pouco o mundo em que vivem que se esquecem de verificar com quem estão realmente contribuindo: menos favorecidos ou empresas.
Muitas organizações apelam para a educação, pois sabem que ela um ponto fundamental da vida. A Sorriso de Criança colocou computadores na escola de uma comunidade carente, mas se esqueceu de que esse ato não é o único necessário, mas que o mais importante é qualificar profissionais para ensinar as crianças a manusear os parelhos e utilizarem para o aprendizado. Assim, os computadores, que já eram ultrapassados, tiveram pouca ou nenhuma serventia.
Faz parte da cultura dos povos o prazer, a vontade e a necessidade de ajudar o próximo. A maioria das pessoas quer e se sente satisfeita em estar contribuindo para o bem de outrem. Só que elas se esquecem que o ato de dar não é suficiente para amenizar o sofrimento, mas que o estar presente, o oferecer a si mesmo e o fiscalizar as instituições sociais, bem como fazer pressão junto ao governo são fundamentais na hora de tentar atender às necessidades de terceiros.
Quanto vale ou é por quilo? conseguiu acordar a população para um problema bem presente na atualidade, assim como o foi no passado. A exploração de pessoas para promover a bondade é tão comum que já se tornou algo banal. A mercadoria do terceiro setor passou a ser a miséria alheia, a solidariedade de fachada. Como está escrito no site do filme "em todo ramo empresarial, há corrupção. Neste o dinheiro é público e o produto é gente".

Voluntários contribuem para a educação

08:17 Edit This 0 Comments »

Por Flávia Passos Leite.

"Aprender alguma coisa a mais para dar o que eu nunca tive na vida aos meus filhos". Este é o sonho de Edmilson Santos Lima, 40 anos, pai de 4 crianças, que participa do projeto de alfabetização para adultos, oferecido pela Associação Brasileira do Encontro Social VaiVem (AVV), em Lauro de Freitas.

Moradores do Condomínio Parque Encontro das Águas viram no trabalho voluntário a oportunidade de compartilhar aquilo que receberam: educação. "Nós precisávamos ajudar as comunidades que tinham mais dificuldades ao nosso redor", explica Dinara Cavalcanti, integrante da organização, fundada há três anos.

Cada um utiliza seu conhecimento para atingir o objetivo principal. Assim, são oferecidos cursos de matemática, alfabetização para adultos, jardinagem e inglês básico voltado para hotelaria e turismo. Dinara Cavalcanti, formada em Filosofia com Letras Germânicas pela Universidade Federal de Pernambuco e professora há 49 anos, é quem ministra as aulas de inglês, fornecendo um certificado de participação.

Pensando na vocação turística do estado da Bahia, a professora ensina a todos os interessados em exercer uma função nesta área. Ela acredita que esse público, tendo noção de um outro idioma, poderá conseguir um emprego melhor. Lílian Silva dos Santos, 22 anos, está convencida de que o curso "é uma excelente iniciativa, que traz em si uma lição de solidariedade e mútuo aprendizado para professores e alunos", afirma Lílian. Ela e mais 11 alunos formaram-se pela AVV em agosto deste ano.

Tereza Dias, professora de música, propôs o nome VaiVem, termo que sugere intercâmbio. Em 2006, ela deu início ao curso de expressão oral, leitura e escrita para funcionários do Encontro das Águas. "Houve os que se apresentaram e se comportaram como quem não sabe o que quer. Outros faziam gracejo para fazer rir os seus pares, uns se mantinham tímidos, desconfiados, como quem quer pescar, mas lhes falta a isca", afirma Tereza.

Edmilson Santos, funcionário do Encontro das Águas, é aluno do curso desde o princípio e afirma que é difícil participar ativamente. "Muitas vezes, as pessoas chegam cansadas do trabalho e não conseguem fazer o que têm vontade, que é estudar mais e mais". Apesar da rotina diária, o estudante e mais um colega têm se esforçado e mostrado resultados. "Estes, sim, podem assinar a folha de pagamento, sabendo o que fazem, com uma caligrafia de fazer inveja", afirma Tereza. A turma, que começou com 15 candidatos, diminuiu em freqüência no segundo semestre de 2007.

Professora Tereza Dias e o aluno Edimilson Santos.

O maior empecilho em conseguir mais alunos para o curso é a vergonha. "Sempre procurei incentivar alguns amigos, mas, por vergonha, eles acham que estarão se humilhando. Assim, perdem a oportunidade de aprender algo a mais", conclui Edmilson, afirmando que não só está aprendendo a ler e escrever como também a respeitar os colegas e a se fazer respeitado. Atualmente, ele é quem está coordenando o trabalho em seu grupo no condomínio. "Esse aprendizado que eu vim ter com dona Tereza, eu acho que já abriu essa oportunidade para eu mostrar minha capacidade", diz Edmilson.

Todas as aulas oferecidas pela AVV são gratuitas e beneficiam adultos, moradores do bairro de Portão e região. O material didático é comprado ou confeccionado pelos membros da organização e emprestado aos alunos que, ao final do período de estudos, devem devolvê-los para serem utilizados pelas próximas turmas.

A instituição ainda não possui uma sede própria nem o estatuto aprovado, porém, a maior dificuldade é encontrar voluntários. Atualmente, apenas cinco pessoas abraçaram a causa. "É incrível, porque o Encontro das Águas possui 350 lotes habitados", diz Dinara, afirmando que sempre são enviadas circulares e as pessoas querem ajudar, mas é difícil conseguir com que participem ativamente.

A associação não possui parceiros. Ela recebe contribuições dos próprios moradores. A exemplo, uma publicitária que fez a marca. O Encontro das Águas também ajuda. Nele são feitas as impressões das circulares que são enviadas aos moradores, além de faixas avisando sobre algum evento. Para arrecadar recursos, dois bazares são realizados dentro do condomínio: no Natal e no Dia das Mães. Para participar é cobrada a taxa de R$20,00, que é revertida para a VaiVem.

A AVV também é responsável por recolher doações e levá-las à pessoas que precisam. Os livros recebidos são encaminhados às bibliotecas da comunidade. "Esses livros nós não doamos, cedemos, porque nosso objetivo é ter uma sede, como se fosse um centro cultural com uma biblioteca. Então, depois, os buscaremos", explica Dinara Cavalcanti.


Manipulando a notícia

18:17 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite.

Quando um jornalista veterano se depara com uma notícia chocante, um movimento acontece. A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, 1951) mostra como um profissional de comunicação se aproveita de um trágico acidente para subir na carreira.
O drama foi produzido e dirigido por Billy Wilder, o mesmo de Amigos, amigos, negócios a parte (Buddy Buddy, 1981). O diretor alerta a população sobre como alguns profissionais manipulam as notícias para se fazerem conhecidos.
Durante 111 minutos é contada a história de Charles Tatum (Kirt Douglas), de a Acontece nas Melhores Famílias (It runs in the family, 2003), um jornalista que, após ser demitido de 11 grandes jornais, vê-se em Albuquerque, Novo México. Então, consegue ser empregado no pequeno jornal local, pensando em ficar apenas alguns meses, até escrever uma boa matéria e ser contratado por um grande veículo de comunicação. Seus planos, porém, não dão certo, pois em um ano não havia presenciado nenhum fato de grande relevância e que obtivesse repercussão nacional.
Enviado para cobrir uma corrida de cascavéis, Mr. Tatum vê sua sorte mudar, quando encontra um motivo para atingir seu objetivo. Leo Minosa (Richard Benedict), após uma tentativa de encontrar relíquias indígenas em uma caverna, fica soterrado. Chuck Tatum, como é conhecido o jornalista, aproveita-se da situação para conseguir sua matéria, como ele mesmo disse: "Esta é a minha história".
A partir deste momento, o personagem passa a controlar a situação. Ele manipula o xerife da cidade, o engenheiro que comanda as obras do resgate, a família de Leo, seu chefe e outros jornalistas, além da multidão de pessoas que, mobilizadas com o acidente, acamparam no lugar. Chuck consegue ainda fazer com que a esposa de Leo, Lorraine Minosa (Jan Sterling), de A Trágica Farsa (The Harder They Fall, 1956), finja que está triste com o que está acontecendo, mesmo quando o que ela queria era deixar o marido.
O engenheiro diz, então, que a maneira mais rápida de retirar Leo da montanha é por den
tro. Mas Mr. Tatum manda o resgate ser realizado por cima, o que levaria seis dias. Assim, a notícia perduraria. Já no sexto dia, depois de estar no centro das atenções, o jornalista vê seu sonho se esvair, pois Leo Minosa morre e, assim, também, a sua notícia.
O filme, ganhador do Prêmio Internacional no Festival de Veneza e indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, chama a atenção de todos para um grave problema: a manipulação de notícias. Os veículos de comunicação são empresas com fins lucrativos e os jornalistas sobrevivem do que escrevem. Por isso, devem observar certos critérios antes de iniciar cada matéria. Não podem simplesmente abordar a notícia do jeito que querem.
É notório que em qualquer veículo de comunicação existe a parcialidade. Segundo McLean (1981) "quando um artigo não faz a distinção clara entre as interpretações do seu autor e os fatos relatados estamos perante uma notícia parcial ou tendenciosa". Essa parcialidade pode ser observada na forma como a notícia é descrita pelo autor, pois cada jornalista possui valores e modos diferentes de ver uma determinada situação e os mostram também em seus textos.
Além disso, o profissional de comunicação deve observar a política editorial da empresa onde trabalha, que é influenciada por seus donos. Esta é completamente diferente da objetividade jornalística, como pensa Breed (1955). Mas e a imparcialidade, onde está? Para isso é que servem os critérios de noticiabilidade. Para tentar padronizar as notícias e ressaltar o que realmente merece importância.
Desde as primeiras décadas do século XVII, quando existiam as "folhas volantes", uma espécie de antecessor dos jornais, catástrofes, milagres, abominações, protestos, mortes e celebridades são notícias. A partir de estudos, Galting e Ruge (1965/1993) enumeraram 12 critérios gerais para nortear a elaboração de textos jornalísticos. Esses e mais alguns critérios são utilizados pela mídia de todo o mundo. São mecanismos que ajudam os jornalistas a escreverem seus textos dentro de um padrão, sabendo das expectativas dos leitores, telespectadores e ouvintes.
Conhecedor dos critérios de noticiabilidade e sabendo que a negatividade é um deles, Charles Tatum persistia em seu objetivo de querer ser conhecido como um ótimo jornalista. Ele vivia em busca de um acontecimento catastrófico que assegurasse sua carreira jornalística, chegando a insinuar que se não tivesse notícia ele morderia um cão.
A história de Leo Minosa serviu para que Mr. Tatum conseguisse escrever sobre o que dava audiência. Só que não desempenhou sua função como deveria. Noticiar o fato sem se envolver parecia algo que não existia na mente do jornalista. Ele manipulou completamente a situação, não permitindo, inclusive, que outros profissionais da área obtivessem qualquer informação sobre o caso.
Por um instante Chuc
k conseguiu o que queria. Porém, não contava com a morte de Leo, quando uma multidão o esperava sair com vida. Ao tentar se fazer o centro das atenções, o jornalista não pensou no sentimento das pessoas que a notícia sensibilizou e muito menos no soterrado, que por sua causa morreu.
Essa história é importante para conscientizar a população sobre uma necessidade: avaliar o conteúdo das informações que são passadas diariamente pelos diversos veículos de comunicação. A manipulação existe e cabe a cada um fiscalizar os media noticiosos, já que não há um órgão que o faça.

Fabricando matérias

10:24 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite.

Histórias fictícias podem aparecer em uma revista política como sendo verdadeiras? É o que conta o filme O preço de uma verdade (Shattered Glass, Estados Unidos, 2003), baseado no artigo Shattered Glass de H.G. Bissinger, jornalista americano que, por sua vez, baseou-se na história real da passagem do jornalista Stephen Glass pela revista americana "The New Republic".
O longa metragem, produzido por Craig Baumgarten, Tove Christensen, Gaye Hirsch e Adam Merims, foi escrito e dirigido por Billy Ray, que adaptou o artigo de Bissinger. Billy Ray dirigiu, também, Quebra de Confiança (Breach, 2007) e roteirizou filmes como Volcano - A Fúria (Volcano, 1997) e Plano de Vôo (Flightplan, 2005).
O drama, com duração de 93 minutos, conta a história do jornalista Stephen Glass (Hayden Christensen), de 25 anos, que teve seu sonho realizado ao se tornar um repórter da revista "The New Republic", de Washington D.C. Todos os integrantes do impresso o admiravam. Seus artigos eram um sucesso. Muitos, porém, eram falsos. Para ser mais precisa, 27 de suas 46 histórias foram parcialmente ou totalmente fabricadas. Glass gostava de ver o entusiasmo das pessoas ao lerem suas matérias e isso o motivava a continuar mentindo.
Mesmo ao passarem pelo rigoroso processo de checagem de informações e fontes, os artigos inventados do jornalista eram publicados sem que nenhum erro fosse notado. Mas essa situação mudou quando o jornalista Adam Penenberg, da revista digital "Forbes", ao analisar o artigo de Stephen Glass, "Paraíso dos Hackers", constatou que era falso. Para se defender, Glass inventou outras mentiras, mas foi pego pelo editor da "The New Republic", Charles Lane (Peter Sarsgaard). Glass foi demitido, arruinando, assim, sua carreira como jornalista.
Essa produção da Lion Gate Films, que recebeu 4 indicações ao Independent Spirit Awards (realizado em Santa Mônica, Califórnia, EUA) nas categorias de melhor filme, roteiro, fotografia e ator coadjuvante (Peter Sarsgaard), chama a atenção para a questão da ética no jornalismo. O código de ética do jornalista brasileiro, em vigor desde 1987 por votação em Congresso Nacional dos Jornalistas, diz, quanto ao direito à informação, no artigo 3° que "a informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo". Stephen Glass parece não ter notado qual a real função de um veículo de comunicação. Quando inventava histórias para a revista que trabalhava, não atendia ao que era solicitado de um jornalista e, portanto, faltava com a ética.
O código de ética dos jornalistas americanos também descreve o papel do profissional de jornalismo. "Testar a exatidão da informação de todas as fontes e exercitar o cuidado para evitar erros inadvertidos. A distorção deliberada nunca deve ser permitida": isso é o que diz a primeira parte do código. Este exemplo serve, mais uma vez, para caracterizar a atitude de Glass. Através dela pode-se notar uma total falta de comprometimento com sua profissão, seu local e colegas de trabalho.
Para obter o sucesso em pouco tempo, Stephen Glass utilizou artifícios que são completamente inaceitáveis dentro de sua profissão. Os jornalistas devem ser, segundo o código de ética americano, "honestos, justos e corajosos ao coletar, relatar e interpretar a informação". Todas essas qualidades não puderam ser observadas no trabalho do jovem profissional americano, que pagou um alto preço por seus erros, como sugere o próprio título do filme.
O diretor Billy Ray e o elenco do filme conseguiram mostrar de forma clara e precisa a história de Stephen Glass, que em entrevista a Steve Kroft's para a "60 minutes", revista televisionada americana, confessou que sua vida foi repleta de mentiras. Ele disse que gostava da reação das pessoas ao lerem suas matérias, mas sabia que tinha que parar com as mentiras, porém não o fez. Glass confessou, também, que sua atitude feriu a seus editores, amigos e familiares e que está tentando se desculpar com todos.
A história de Stephen Glass, relatada no filme O preço de uma verdade, intensificou a importância de analisar o que se lê. O papel do jornalista é informar a população sobre fatos que ocorrem diariamente e que são de interesse de todos. Mas se esse profissional, que contribui para a formação da opinião pública, for desonesto ao passar as informações, todo o processo de leitura e interpretação da mensagem será abalado. Cabe, portanto, aos jornalistas, donos de empresas de comunicação e a sociedade estarem atentos e analisarem criticamente as informações que são passadas diariamente.