Chuvas causam transtornos em Salvador - depoimentos

17:40 Edit This 0 Comments »
Por Flávia Passos Leite

Agitação, destruição, desabamento, morte, congestionamento. Tudo isso aconteceu em Salvador nos dias 5 e 10 de maio de 2009. "Saí do trabalho às 16h e passei quase 3 presa em um engarrafamento na Sete Portas. Eu dormia e acordava e o ônibus não saía do lugar, sem contar que estava abafado, já que as janelas estavam fechadas. Cheguei em casa cansada", desabafa Nildes Lizard, 38 anos, cozinheira.
Em apenas 10 dias de maio o índice pluviométrico ultrapassou o previsto para todo o mês em algumas áreas da cidade. O bairro de Paripe foi um dos mais afetados. A explicação para a tragédia vivida pelos moradores desta localidade está no solo, de massapé, que se expande com a absorção da água. Uma faixa de terra de cerca de 500 metros de extensão por 1.200 de largura deslizou, destruindo ainda todo o sistema de esgotamento sanitário, derrubando postes de eletricidade, comprometendo o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica.
Mas os que moram em bairros nobres também sofreram. O dia 5 de maio ficará guardado da memória de Milca Santos, 24 anos, moradora de Ondina. "Eu estava dando banho no meu filho Mikael, de 5 meses, em sua banheira na sala de estar, enquanto assistia a um desenho animado. Foi quando percebi algo gelado nos meus pés. Então, vi a água invadindo minha casa. Carreguei Mikael e sentei no sofá, esperando que tudo acabasse. A água entrou no quarto do bebê e eu corri para retirar os móveis e colocá-los em meu quarto, que não foi inundado. A máquina de lavar roupas ficou enferrujada e alguns móveis destruídos. Fiquei apavorada. Foi um dia muito ruim".
No Domingo, dia 10, o dia amanheceu ensolarado e muitas pessoas aproveitaram para dar um passeio, mas foram pegas de surpresa. Até o meio-dia a Defesa Civil registrou 83 pedidos de ajuda, sendo 50 referentes a deslizamentos de terra.
"Fui a casa de uma amiga no Calabetão. A chuva estava fraca e estava na hora de eu ir embora. No caminho para o ponto de ônibus a chuva aumentou e tudo escureceu. Não dava para enxergar quase nada. Depois de ter tomado dois banhos de lama, por causa de carros que passavam apressados, consegui pegar um ônibus. Estava cheio e as janelas fechadas. Quando cheguei no Ogunjá o engarrafamento começou, devido a um deslizamento de terra. Passei quase 1 hora no mesmo lugar. Então resolvi descer do transporte e ir a pé até a Federação. Cheguei em casa exausta e suja", conta Cristiane Silva, 30 anos, copeira.

Fonte sobre os dados técnicos: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_7/2009/05/10/em_noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=109850/em_noticia_interna.shtml

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